terça-feira, 17 de março de 2009

PMDB, O FILME


FERNANDO DE BARROS E SILVA


Folha de Sâo Paulo, 16/03/2009


SÃO PAULO - Numa das suas, o finado senador Antonio Carlos Magalhães disse certa vez que o presidente da Câmara, Michel Temer, parecia mordomo de filme de terror. Podemos ir além: o próprio PMDB virou um filme de terror. É verdade que as notícias assombrosas nos últimos dias têm sido mais frequentes no Senado de José Sarney do que na Câmara de Jader Barbalho, de Eduardo Cunha, do ministro Geddel, entre tantos outros artistas de cinema. O regresso de Collor à cena política como "gerente do PAC", fruto do acordão que elegeu Sarney presidente da Casa, foi a cereja do bolo de um início de legislatura desastroso no Senado. A mansão do Agaciel, os milhões pagos em horas extras a funcionários no recesso, o uso privado de empregados da Casa pelo seu presidente -os exemplos de desfaçatez diante do bem público se sucedem como num filme.
Elo entre Sarney e Collor, fazendo o uso de sempre do mandato que seus colegas, por falta de decoro e excesso de compadrio, deixaram de cassar, Renan Calheiros merece o título de melhor ator coadjuvante da chanchada em curso.
O PMDB é o que parece ser. Um partido afinal transparente, especializado, como disse Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), "nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral". Durante muito tempo, o PMDB se beneficiou da imagem de respeitabilidade que havia construído na luta contra a ditadura. Nos anos 80, quando ainda se preocupava em formular ideias, tentou empunhar a velha bandeira do nacional-desenvolvimentismo, mas foi engolfado pela agenda quase exclusiva de combate à inflação e finalmente atropelado pela onda liberal.Eis que agora o país redescobre o PMDB: emancipado do fardo de ter de gerar qualquer luz, tornou-se um parasita gigante que usa seu tamanho para chantagear governos e sugar as tetas do poder. Não deixa de ser um símbolo nacional.

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